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Vocação do Homem: liberdade

Publicado por Virgínia Calaes

“O educar só se ordena aos fins do homem, à sua felicidade e realização, caso o educador possa ser prudente o bastante para estabelecer com o educando um diálogo amoroso em torno da verdade, considerando-o um outro, uma pessoa com uma vocação de liberdade”.
Marcos Cotrim escreveu Filosofia para educadores – Ensaios sobre a liberdade para um público preocupado em aprofundar a questão educacional, partindo do princípio que “todo aprofundamento é filosófico”, conforme observa o autor. O livro destina-se a educadores, de modo amplo: pais, professores, jornalistas, comunicadores, enfim, todas as pessoas e profissionais envolvidos com a tarefa de transmissão de conhecimento, de informação, de cultura e de saber. E também aos estudantes da área da educação e da filosofia.
A leitura do livro nos leva a perguntar: como o filósofo, educador e historiador Marcos Cotrim transita nessas três esferas – a filosofia, a educação e a história? E qual seria interface entre as três ciências? É ele quem responde: “Elas embasam a reflexão sobre as questões metafísicas relativas ao homem e sobre o reflexo destas questões nos moldes tradicionais de organização e de produção da sociedade”.
Outra resposta a essa pergunta poderia ser encontrada nas páginas de seu livro, onde ele diz que “todo professor é, de certa maneira, professor de filosofia. É preciso que se aproprie desta vocação e se torne mestre, dominando o tema dos princípios e dos fins de seu métier, o que, segundo Santo Tomás, é a missão do sábio”.
O livro que Marcos Cotrim lançou na AEDB é profundo como quer a filosofia – ou filosófico como pede o aprofundamento. E, no entanto, o autor conseguiu aprofundar filosoficamente a questão educacional, em linguagem acessível ao leitor que ele quer alcançar.
O livro é entremeado por transcrições de letras de músicas e de poesias, e por citações de pensamentos de gente como Lenine, Caetano Veloso, John Lennon, Fernando Pessoa, Thiago de Melo, Cora Coralina – que arejam o texto denso, quebram a rigidez da erudição e ilustram as idéias do autor, aproximando-o do leitor comum. Até porque filosofar não é atributo exclusivo dos eruditos. Como são filosóficos os provérbios e ditos populares! Quanta filosofia nas letras de alguns dos grandes sambistas brasileiros…
Em tempo: pode-se comprar o livro com o autor, na AEDB, às sextas-feiras à noite.

Virgínia Calaes
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