Madalena
Publicado por J. Strauklys

Não tenho certeza, quando me apaixono, se é mesmo a moça, o amor, ou se é apenas criação mental. Esse problema torna-se maior na medida em que a outra parte se envolve, tornando difícil o fim, quando necessário. Terá acontecido isso no caso Antônia (aquela do genérico paraguaio)? Mas de fato a amei, desejei, senti febre. Terei criado a febre? Aí as coisas começam a perder a graça, pois, se nós tudo criamos, prefiro programar um computador e ter certeza de como as coisas irão se comportar, criando o meu próprio mundo. Na paixão existe a outra parte. Me sinto como uma criança, pensando em Madalena. Desejo que não seja minha própria criação. Que passamos uma noite juntos é fato. Há tempos a admiro. Andar, jeito, dançar. Pensei, uma boa mulher pra mim, desejei que fosse, por um tempo. Penso em conversar com ela sobre a obra de Rubem, Dostoiévski e Poe. Quero saber como foi seu dia. Se nossa noite foi boa, não me lembro bem, acho que falamos de Poe. Será que ela gostou? Estou amando Madalena. Nesse mesmo dia ela viajou. Como estará Madalena na volta? Ela voltou e não mais; nunca mais. O corvo.
J. Strauklys
Jornal Ponte Velha



