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Alerta Geral

Publicado por Ressencler Luiz Martins

terra

A matéria publicada no Ponte Velha  n.162 de agosto de 09 assinada por Eliel de Assis Queiroz  levou-me a considerar que, também eu, estou acomodado e que não basta a nossa indignação ante a inércia  e a indiferença dos nossos dirigentes nos três níveis da administração pública e em todas as esferas do poder. É forçoso e urgente participarmos, como fazem as populações mais esclarecidas em grande número de países, da luta pela sustentabilidade, isto é: das condições de vida em todo o nosso Planeta.
É necessária uma ativa e consciente militância. Uma militância supra- partidária; sem vinculação ideológica ou qualquer outra que possa nos afastar da grande causa: a fraterna e monumental luta pela salvação de multidões já ameaçadas, em todos os continentes, pela previsível elevação do nível dos oceanos, em futuro não muito longínquo.
Não poderá ser uma luta de arroubos ou de messianismos demagógicos. Aos poucos a intensificação dos fenômenos, cada vez mais incomuns e violentos, trará para as grandes massas a percepção de que algo vastíssimo e ameaçador está acontecendo, o que provocará, em todo o mundo, movimentos de interesse e alcance globais, na direção da compreensão e da superação dos seus efeitos já visíveis e das suas catastróficas conseqüências.
Devemos buscar conhecimento e participar das ações afinadas com a condenação e o combate às causas flagrantes do Aquecimento Global. É fundamental identificar e prestigiar as lideranças que qualifiquem e legitimem a causa, eis que sem lideranças qualificadas e reconhecidas será impossível alcançarmos credibilidade, confiança e a cooperação de todos
.É imperioso combater com ardor a emissão abusiva e danosa de toneladas diárias de gases do efeito estufa pelas fábricas, siderurgias e usinas termoelétricas; pelas máquinas movidas a carvão ou a óleo diesel (principalmente esse de uso nacional que contém quantidades exorbitantes de enxofre); o uso inadequado e poluente de motores de combustão interna estacionários; de veículos e de embarcações, movidos a combustíveis fósseis, principalmente se contiverem chumbo. Não aceitemos passivamente outras emissões de gases por refinarias ou emanados dos complexos petroquímicos, sejam eles hidrocarbonetos ou óxido de nitrogênio (que reagindo à luz do sol, produzem nas camadas mais baixas da atmosfera a toxidade de nocivas quantidades de ozônio) que apesar dos seus malefícios são tolerados “patrioticamente” pela Agência Nacional de Petróleo.
Lutemos pela coleta seletiva do lixo; pelo tratamento e o aproveitamento racional do lixo orgânico; contra os infindáveis e danosos “lixões’, que são fontes permanentes da disseminação de doenças; da produção e da emanação contínua de metano, gás mais poluente da atmosfera que o gás carbônico.
Protestemos contra os descartes irresponsáveis de resíduos tóxicos da produção fabril; contra a eliminação, sem tratamento, de esgotos sanitários residenciais e fabris, (inclusive os da produção animal); contra todo o uso abusivo e descontrolado de agrotóxicos e de adubos químicos que envenenam o solo e as pessoas e destroem fauna e flora nos cursos de água e nas terras ribeirinhas.
Finalmente façamos coro com todas as vozes que combatem as queimadas, (a qualquer título ou justificativa); com os que condenam e deploram os desmatamentos em florestas nativas (e demais biomas frágeis, principalmente o cerrado, já drasticamente destruído), principalmente quando sem suporte em racionais e parcimoniosos planos de manejo, com finalidades restritas que não tolerem, naqueles biomas, a exploração econômica intensiva pela agricultura, a pecuária ou que ainda sejam altamente extrativistas; contra o avanço da ocupação urbana nas florestas, ou que sejam permitidos assentamentos inadequados e sem assistência técnica, (mormente sem o controle de desmatamentos e sem o consequente reflorestamento ou o enobrecimento da floresta), para dar lugar à insipiente agricultura familiar de subsistência.
Abro aqui um parêntese para manifestar minha completa discordância com a citação, que me pareceu desairosa, na coluna Politicalya, naquele mesmo número 162 do nosso querido “Ponte Velha”, quando ao referir-se à já provável candidatura à Presidência da República, pelo PV, da Senadora Marina Silva, (liderança inconteste de prestígio nacional e internacional), o seu autor deu àquele tópico o título deselegante de “Orgasmo Verde”.
A Senadora Marina Silva é uma rara liderança que se impõe pela sua formação e pela sua competência; pela sua atuação política e administrativa e  finalmente pela sua integridade, seu equilíbrio e sua prudência. É, sem sombra  dúvida, uma liderança a ser seguida, principalmente quando se põe em questão a presença do Brasil na próxima conferência  de Copenhague para a fixação das metas mundiais de contenção do Aquecimento Global.
Meus amigos, persistindo a atual progressão do descalabro ambiental e,  se a esperada conferência em Copenhague não lograr decididas adesões e firmes compromissos por todos os países participantes, quanto às políticas a serem adotadas e quanto às metas severas e abrangentes, poderá a humanidade vislumbrar, no prazo exíguo de 5 (cinco) anos, ou pouco mais, o cenário do seu verdadeiro e fantástico Armagedom. Ou seja, o ponto de desequilíbrio, para toda a espécie humana, a partir do qual a conjugação de todas as grandes mutações climáticas poderá adquirir uma inimaginável condição irreversível, segundo o relatório do centro de investigação e estudos do clima do Governo dos Estados Unidos, recentemente divulgado.
O que foi sinalizado como irreversível naquela colocação aterradora? Querem aquele cientistas sinalizar que a partir de certo ponto, (talvez do aumento de apenas dois grãos centígrados na temperatura média da Terra), as condições anômalas do clima não mais serão revertidas. Teremos então um processo de agravamento contínuo, pois o Aquecimento Global será cumulativamente afetado pela imensa e crescente população do Globo e dos seus imensos rebanhos e criações de animais de corte e de todas as suas irrefreáveis demandas, de todas as formas de energia, principalmente de energia térmica.
Estimam  para pouco mais de vinte anos o agravamento do Aquecimento Global capaz de intensificar o degelo acentuado da calota polar e das geleiras do oceano Glacial Ártico; o degelo dos lagos e mares do norte e a diminuição acentuada das gigantescas geleiras que cobrem o sub-continente da Antártida, e das cordilheiras em todo o mundo, provocando a elevação do nível dos oceanos que por sua vez provocaria  marés mais altas, que os forte ventos transformariam em destruidoras ressacas.
Todo esse quadro de contínuas e auto realimentadas modificações afetarão fortemente as correntes marinhas e o aquecimento dos oceanos provocando a intensificação das evaporações, que causarão grandes precipitações de chuvas e grandes formações de nuvens, que além do aumento de violentas tempestades de granizo provocarão a intensificação da formação de destruidores tornados e ciclones “extra-tropicais”; intensificação da sua atividade eletromagnética e dos destruidores relâmpagos; alterações nas correntes de ar nas camadas da atmosfera e assim grandes turbulências nas zonas de convergência e fortíssimos ventos nas grandes altitudes.
A elevação do nível dos oceanos provocará a submersão de ilhas ou até de pequenos arquipélagos, reduzindo as suas dimensões em consequência do alagamento das terras mais baixas, o que também acontecerá nas costas baixas dos continentes, no estuários dos grandes rios, diminuindo as terras habitadas e destruindo habitações e outras construções e terras agricultáveis, causando mortes, desabrigo, problemas de circulação de pessoas e de bens, empobrecimento e sofrimento para grande número de pessoas.
O aquecimento dos oceanos diminui a formação do fitoplancton e do zooplancton (camadas de micro-organismos que vivem nas superfícies e profundidades médias dos mares, lagos e cursos de água e alimentam os cardumes. diminuindo assim a capacidade da pesca por toda a parte. O mesmo ocorrerá nos bancos de coral que são criadouros de peixes e outras formas de vida marinha, integrantes de uma extensa cadeia alimentar que inclui os seres humanos. Todo esse imenso tecido de vida marinha (e aquática em geral) é atualmente responsável pela captura de grande massa de carbono da atmosfera. A sua diminuição em larga escala realimentará também o aquecimento global. Além disso haverá diminuição de camadas de gelo marinho que em certas formações retêm, há milênios, em grande quantidade, no fundo de baías e lagos gelados ou de geleiras, certas estruturas denominadas hidratos de metano.  Com o degelo esse composto será liberado vindo a borbulhar na superfície e liberar correntes ascendentes de metano, gás do efeito estufa mais nocivo que o gás carbônico que além de ser altamente inflamável realimentará aceleradamente o Aquecimento Global..
Toda essa fantástica cadeia de fenômenos interdependentes e re-alimentadores da progressiva destruição do habitat humano não se consumará fatalmente, pois é certo que, pelas pressões dos povos e de governos mais responsáveis e representativos, as nações terão que se unir para democraticamente impedir o prosseguimento dessa escalada dantesca.
Devemos, porém, lutar arduamente para evitar, de todos os modos, que todas aquelas desgraças se consumem, com grande e imperdoável sofrimento para um imenso número de pessoas sob as trágicas formas de destruição, doenças, fome, frio (que apesar do aquecimento do Globo se deslocará para outros cenários e regiões em consequência das grandes e bruscas perturbações climáticas), em meio a tão instáveis e inimaginavelmente bruscas mutações, causando possivelmente miséria, guerras, migrações, abandono e até, no pior cenário, extermínio.
Esta é uma consciente provocação ao debate, que não pretende ser alarmista e fantasiosa, pois em todo o seu conjunto as fontes do Aquecimento Global e do seu potencial destruidor, como acima abordados, são agora com freqüência e proficiência mundialmente informadas por toda a mídia e estão disponíveis à pesquisa por qualquer pessoa interessada e razoavelmente instruída.

Ressencler Luiz Martins
Jornal Ponte Velha

Shimoda


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Um comentário adicionado em “Alerta Geral”

  1. Eduardo G Oliveira Disse:

    Estou tentando fazer contato com Ressencler Luiz Martins. Lendo o artigo, por tratar-se também de um colega advogado, venho solicitar, que sendo o Dr Ressencler, um dos formandos da Turma 1534 da Faculdade Brasileira de Ciencias Jurídicas no ano de 1984, queira entrar em contato, para formalizar sua participação no almoço de formandos a ser realizado no dia 12/12, no RJ.

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