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O Ministério da Insignificância adverte: Democracia pode fazer mal à saúde

Publicado por Marcos Cotrim

democracia

Perplexo como um poste, meu colega que tira o sustento da família como camelô na Uruguaiana olhou para as pedras portuguesas e os paralelepípedos que calçam  o Centro do Rio e resolveu defender a tese de que a democracia é um subterfúgio dos impérios. Um império não tem vizinhos, não considera o outro como pessoa, mas como número, argumenta. Por isso, as “liberdades civis” não passam de indiferença declarada na cara de insignificâncias. Ora, a escravidão é uma suprema insignificância. Logo, conclui, a democracia leva à servidão.
Não sei se é um sofisma, mas parece que a democracia está sempre a um passo de ser totalitária. O ataque às torres gêmeas fez perigarem os direitos civis americanos, pondo sob estado de sítio a privacidade e o bom senso. Se os satélites de alguma agência de inteligência podem saber onde estou escrevendo estas linhas, e qualquer vendedora de call-center sabe todos os detalhes de minha pobre vida de inadimplente, como não temer que me cerceiem o direito de não fumar?

Por mais que eu tenha advertido nesta folha, leio que o governo inglês estuda posicionar câmeras nas casas de famílias consideradas como potenciais violadoras dos direitos humanos dos filhos. Principalmente o direito de receber doutrinação do estado nas escolas públicas. Acho que o que escrevo de nada adianta e fico desolado…
As coisas se complicam quando nosso direito de fumar e beber é cerceado, não em nome da saúde pública, mas de um pretenso código de ética em que o estado é o guardião da moralidade cívica, o que lembra a tática do fascismo. Nada melhor que um argumento científico para organizar a bagunça em currais de assepsia, e trancafiar a consciência em gaiolas de higidez. Não bastam já os guetos virtuais de hoje? Será o benedito?
O vício é péssimo para a sociedade, mas não há de ser o estado a tutelar as consciências. Pior a emenda que o soneto. As próteses moralistas dos utópicos sonhadores com o paraíso terrestre estão à espreita de um cochilo da democracia, esta senhora de vida fácil. Tão débil quanto a voz esganiçada dos defensores dos direitos humanos na Venezuela. Ou como os que não vêem que se preparava, democraticamente, em Honduras, um golpe contra a democracia.

Não falo como liberal, mas estado virtuoso é estado totalitário. Ética vira higiene cultural, e higiene cultural acaba em eugenia e manipulação. Democracia não se sustenta sem a difícil conquista da virtude de cada pessoa e a bênção divina. Ninguém fica justo apenas com a força da lei. Este negócio de que o direito de um vai até onde começa o do outro é uma ilusão do contratualismo. Comodismo positivista. Egoísmo disfarçado de filantropia.
Virtudes cívicas são religião do estado. Em tempos de se retirarem os símbolos cristãos das repartições públicas do “estado laico”, o culto coletivo dos símbolos pátrios deveria ser também proscrito. Afinal, a hipocrisia está bem distribuída pelas seitas da modernidade e deve-se acima de tudo, guardar o devido decoro nas casas de tolerância.
Em terra de cego, um homem desprevenido vale por dois. Vê extamente onde “menos é mais”.  A morbidez das políticas de uniformização compromete a privacidade, não porque o indivíduo fica exposto, mas porque sua exposição significa uma insignificância iminente. O voto não vale nada quando não se sabe aonde ir. E é uma rematada loucura quando se está indo para o brejo.

Marcos Cotrim
Jornal Ponte Velha

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2 comentários adicionados em “O Ministério da Insignificância adverte: Democracia pode fazer mal à saúde”

  1. Marcelo Faria Disse:

    Prezado Marcos Cotrim,

    Como tem passado?

    Leio o que escreves no Jornal “O Ponte Velha” e, gostaria de compartilhar com amigos, os seus pensamentos e reflexões.

    Ocorre que, não há nesse espaço uma opção “Envie para um amigo”. Veja só, acabamos reféns da modernidade ou da falta de percepção, sem querer ofender, de que montou o site.

    Se julgar importante, converse com o Gustavo “Boa” Praça sobre a possibilidade de proceder essa alteração. Dessa forma, a informação circulará!

    Apareça para nos visitar em Itatiaia, num dia em Mario Celso estiver lá, pois sempre fala em você.

    Abraços,

    Marcelo Faria
    (marido de Márcia Bernardes e Zézinho Major, é mole? rsrsrsrs..)

    Cel.: 24-8122-9007
    Res.: 24-3352-4222
    Com.: 21-2220-3184

    Abração

  2. Marcelo Faria Disse:

    Marcos Cotrim,

    Por favor, onde se lê “marido de Márcia Bernardes e Zézinho Major” entenda como “marido de Márcia Bernardes e FILHO de Zézinho Major”) e também onde se lê “que montou o site” entenda “quem montou o site”.

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